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terça-feira, 3 de março de 2026

O Médico que Virou Prefeito

Crônica: O MÉDICO QUE VIROU PREFEITO

Diziam na cidade que, quando um médico é eleito prefeito, o posto de saúde até suspira aliviado. “Agora vai!” Murmurava o pronto‑atendimento cansado de esperar reformas que nunca vinham. 

As fichas amareladas se empilhavam como quem conta o tempo pelas dores não tratadas.

No dia da posse, o povo olhava para o novo gestor com a esperança típica de quem vê no jaleco branco não um tecido, mas uma promessa. Afinal, quem dedicou a vida a cuidar de um corpo doente saberia também tratar de uma cidade que mancava.

Mas o tempo correu, e a saúde continuou andando de muletas.

O médico‑prefeito pendurou o estetoscópio no fundo de uma gaveta, e com ele, talvez, a sensibilidade de ouvir o pulso do povo. A prefeitura virou um consultório sem pacientes; o gabinete, um lugar onde o silêncio das necessidades ecoava sem que ninguém tomasse nota.

Nos corredores do hospital, alguém sussurrou: Ele esqueceu que a cidade também tem um coração para escutar!

E assim, enquanto o prefeito se ocupava de tudo, menos daquilo que um dia jurou proteger, os moradores foram percebendo que há doenças que não se curam com remédios, mas com responsabilidade. 

E que o maior abandono não é a falta de médico, mas sim a falta de humanidade.

Esta é a realidade da nossa Cidade!


Por Willian IDELFONSO
Advogado